Por Murillo C. Freitas, especialista em Hipnose Não Verbal, Magnetismo e Transformação Pessoal.

Como a Autossabotagem Se Disfarça de Identidade e Destrói Por Dentro

Existe uma pergunta que poucos se fazem com honestidade: o que dentro de mim está colaborando com aquilo que me limita?

 

Não é uma pergunta confortável. Ela exige um tipo de lucidez que vai na contramão do movimento mais comum da mente humana, que é sempre buscar o problema fora. No outro. No ambiente. Na circunstância.

 

Mas quando olhamos com mais atenção para os padrões que se repetem, nos relacionamentos, nas escolhas, nos comportamentos que insistimos em manter mesmo quando reconhecemos que nos prejudicam, uma verdade incômoda começa a surgir.

 

A autossabotagem raramente parece um inimigo. Ela parece identidade.

 

E é exatamente por isso que os padrões mentais mais limitantes são os mais difíceis de identificar. Eles não chegam de fora. Eles já estão dentro, integrados à forma como pensamos, decidimos e nos relacionamos com o mundo.

 

É sobre isso que trata este artigo.

 

Por Que Confundimos Semelhança Com Segurança?

Existe um tipo de ameaça que não chega fazendo barulho. Ela não se anuncia, não assusta à primeira vista e, por isso mesmo, passa despercebida. É a ameaça que nasce de dentro. É sobre isso que fala o antigo ditado:

“Quando o machado entrou na floresta, as árvores disseram que não havia perigo. Afinal, o cabo era um deles.”

 

Essa frase carrega uma verdade desconfortável. O perigo raramente está apenas no que é externo, distante ou desconhecido. Muitas vezes, ele está naquilo que reconhecemos como familiar. E é exatamente essa familiaridade que nos faz baixar a guarda.

 

O machado, por si só, não causa impacto imediato na percepção das árvores. O que chama atenção é o cabo. Madeira. Igual a elas. Parte do mesmo corpo simbólico. E é aí que mora o erro. Confundir semelhança com segurança é uma das ilusões mais comuns da mente humana.

 

Na vida prática, isso acontece o tempo todo. Pessoas confiam cegamente em quem compartilha da mesma linguagem, do mesmo ambiente ou das mesmas crenças aparentes. Sem perceber que a intenção, a postura e a direção podem ser completamente diferentes. O dano não vem do estranho. Vem do conhecido que nunca foi realmente compreendido.

 

Autossabotagem: Quando o Inimigo Parece Identidade

Esse ditado também revela algo ainda mais profundo. Nem sempre o “cabo” é outra pessoa. Muitas vezes, ele está dentro do próprio indivíduo. São crenças, padrões mentais, comportamentos repetitivos que parecem fazer parte da identidade, mas que, na prática, sustentam aquilo que destrói.

 

O indivíduo que se autossabota não percebe que está colaborando com o próprio machado. Ele justifica, racionaliza, cria argumentos para manter aquilo que o limita. E faz isso porque reconhece essas estruturas como parte de si. O problema não parece um inimigo. Parece identidade.

 

E quando algo parece ser parte de quem somos, dificilmente é questionado.

 

Esse é o ponto central. O perigo mais difícil de identificar é aquele que se disfarça de pertencimento. Ele não precisa invadir. Ele já está dentro.

Leia também: Por Que Tantas Pessoas Se Sentem Perdidas Mesmo Quando Está Tudo Bem

 

Por Que É Tão Difícil Identificar o Que Nos Prejudica?

No campo coletivo, isso se manifesta quando grupos inteiros defendem ideias, sistemas ou pessoas que, no fundo, contribuem para sua própria fragilização. A identificação cria um tipo de cegueira emocional. Não se analisa mais o efeito, apenas se protege aquilo que parece familiar.

 

Poucos percebem isso porque exige um nível de lucidez que não é confortável. É muito mais fácil acreditar que o problema está sempre fora. Que o risco vem do outro, do diferente, do distante.

 

Olhar para dentro, reconhecer que parte daquilo que nos prejudica pode estar sendo sustentado por nós mesmos, exige responsabilidade. E responsabilidade exige maturidade.

 

Quando o Grupo Defende Aquilo Que o Fragiliza

A identificação coletiva cria um dos padrões mais difíceis de romper. Quando um grupo inteiro compartilha as mesmas crenças, a mesma linguagem e os mesmos símbolos, qualquer questionamento interno é percebido como traição, não como reflexão.

 

É aí que o cabo cumpre sua função com mais eficiência. Não porque invadiu de fora. Mas porque foi aceito, protegido e defendido por dentro.

 

Esse padrão se repete em famílias, em organizações, em movimentos. E o denominador comum é sempre o mesmo: a familiaridade que impede a análise.

 

Consciência e Responsabilidade: O Primeiro Passo Para Não Ser Destruído

O ditado não fala apenas de ingenuidade. Ele fala de consciência

De perceber que nem tudo que se parece com você está a seu favor. E, principalmente, de entender que o primeiro passo para não ser destruído é identificar o que, dentro do seu próprio sistema, está servindo de base para aquilo que te atinge.

 

Romper esse padrão exige mais do que boa intenção. Exige disposição para questionar o que parece familiar. Para observar com honestidade o que está sendo sustentado, e para quê.

 

Esse é um trabalho interno. Não é confortável. Mas é o único que produz mudança real.

 

Se você sente que existe algo dentro de si que repete padrões, que limita, que sabota, e que até agora você reconheceu isso como parte da sua identidade, talvez seja hora de olhar para esse ponto com mais profundidade.

 

No meu site você encontra reflexões, artigos e as formações que desenvolvi ao longo de anos trabalhando com a mente humana. Para quem busca não apenas entender o que sente, mas desenvolver a consciência necessária para transformar o que está por baixo, nas raízes.

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A Pergunta Que Poucos Têm Coragem de Fazer

O machado só cumpre sua função porque alguém foi a matéria-prima do seu cabo.

 

E essa é a reflexão que poucos querem fazer.

 

Porque, no fundo, ela exige uma pergunta incômoda:

Em que parte da sua vida você está sendo árvore e, ao mesmo tempo, o cabo?

 

Leia também: O Sexto Sentido: A Inteligência que Vem de Dentro

 

Aprofunde sua Jornada de Transformação e Consciência

Se você ainda não acompanha os artigos por aqui, te convido a explorar o blog. É importante iniciar em ordem, pois eles seguem uma sequência lógica. 

 

Meu foco é guiar você para a lucidez, eliminando os filtros que distorcem sua realidade. Está pronto para aumentar sua clareza mental e trabalhar para quebrar os padrões repetitivos? 

Acesse o poder do inconsciente!

 

Um forte abraço,
Murillo C. Freitas
Terapeuta, pesquisador e pioneiro no ensino de Hipnose Clínica e Espiritualidade no Brasil. Premiado pelo LAQI 2025 Autor de obras sobre Kundalini e a interface entre hipnose e consciência

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